Solidariedade com a Greve Climática Estudantil! Polícia fora das universidades!

Comunicado do Colectivo Marxista

Na madrugada desta terça-feira, seis ativistas da Greve Climática Estudantil foram detidos na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova de Lisboa, durante uma ocupação pacifica para exigir o fim dos combustíveis fosseis até 2025. A polícia foi chamada pelos responsáveis da FCSH, e, apesar da sua atitude pacifica, os estudantes foram alvo da violência policial. Uma estudante foi ferida e um peão foi atropelado nas imediações do campus. Ontem três alunas foram detidas por duas dúzias de policias que invadiram a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação em Lisboa quando participavam uma palestra. De acordo com Catarina Bio, da Greve Climática Estudantil, o diretor da Faculdade avisou os estudantes de que não seriam permitidas conversas políticas!

Desde o Coletivo Marxista, expressamos a nossa solidariedade com a Greve Climática, vítima novamente da repressão estatal. A universidade deveria ser um espaço para o pensamento crítico onde a polícia não pode ter direito a entrar.

É assim que o Estado burguês trata aos jovens que lutam pelo futuro de todos nós, e que corretamente assinalam a conivência do governo com as grandes empresas poluidoras. Os capitalistas e os seus aliados nos ministérios e no aparato estatal são os únicos criminosos aqui, são eles que estão a destruir o planeta e a perseguir quem denuncia os seus crimes. Esta repressão mostra claramente a natureza de classe do Estado português: serve os ricos e os capitalistas que estão a destruir o planeta. Desta vez, o elemento original tem sido o envolvimento da FCSH na repressão, assinalando e denunciando os estudantes. A administração universitária mostra-se dura e implacável com a juventude em luta, e branda e amigável perante os poderosos, denunciando os estudantes e chamando à intervenção policial como nos piores anos do Estado Novo. Apesar de todo o palavrório sobre a liberdade da ciência, sobre a faculdade “em luta” e sobre o seu compromisso com a luta contra as alterações climáticas, e apesar do facto de que muitos trabalhadores da ciência são críticos e progressistas, a alta patente universitária, os reitores, catedráticos prestigiosos e altos funcionários, fazem parte do Estado burguês, e perante as questões importantes colocar-se-ão do lado da ordem estabelecida, mesmo quando o status quo vai diretamente contra a ciência e a razão.

Cinquenta anos depois do 25 de abril, devemos refletir sobre estes episódios de repressão e sobre o que nos dizem sobre a natureza da democracia portuguesa. O Estado português, incluindo os seus representantes na hierarquia universitária, não serve o povo português, mas sim a burguesia e os poderosos. A revolução ficou incumprida, porque não tocou a base material do antigo regime: a grande propriedade capitalista. Cabe-lhe às novas gerações é derrubar o capitalismo e cumprir abril.

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