Luta pela libertação! Luta pela revolução!

A homossexualidade hoje, ou qualquer outro comportamento relacionado, permanece oficialmente ilegal em 72 países, com punições que vão de um mês a 15 dias de prisão, prisão perpétua e até pena de morte (em oito países). Além de tudo isso, a discriminação permeia a vida quotidiana nas escolas, nos locais de trabalho e em casa, sendo sentida na constante pressão ideológica e social que pesa sobre as pessoas LGBT.

Como Engels explicou em “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”, a família não é uma instituição estável que sempre existiu. Durante o estágio caçador-coletor, quando o gerenciamento da economia, da comida e das ferramentas e a educação das crianças eram conduzidos ao nível comunal, as mulheres tinham uma função proeminente e a sociedade era matrilinear. Graças à revolução agrícola e à concentração dos meios de produção nas mãos dos homens, a opressão patriarcal se originou e o casamento monogâmico tornou-se a base de uma nova estrutura familiar. Daí vem o sentimento de propriedade em relação às esposas e aos filhos que é ainda tão difundido atualmente e afeta as vidas de biliões de indivíduos.

A luta contra a discriminação sexual está relacionada à luta contra a sociedade de classes em geral por diversas razões.

A primeira é que somente a abolição da sociedade de classes pode criar a base material económica e o impulso cultural necessário para desmantelar o modelo da família monogâmica como o único núcleo básico da sociedade. Ao executar socialmente todas as tarefas que hoje são atribuídas à esfera da família, mais ainda às mulheres (cozinhar, limpar, criar as crianças), e permitir o livre desenvolvimento dos indivíduos com acesso aos melhores recursos materiais e culturais que a sociedade pode oferecer, será possível um processo pelo qual os vínculos familiares
e interpessoais sejam gradualmente libertos da necessidade material e correspondam somente aos desejos românticos e sexuais, dissolvendo assim as normas opressivas e as discriminações que existem atualmente.

A segunda razão é que a vasta maioria das pessoas LGBT são trabalhadoras, jovens, trabalhadoras temporárias e desempregadas que experimentam uma dupla opressão em relação tanto à sua classe social, no local de trabalho e nas condições de vida, quanto à sua identidade sexual. Juntar-se as lutas contra estas duas formas de opressão é, portanto, algo muito natural, especialmente quando sabemos que o inimigo é o mesmo. Ainda mais, não devemos esquecer que os preconceitos homofóbicos existem para dividir os trabalhadores – por exemplo, para fazer os trabalhadores heterossexuais acreditarem que mesmo sendo oprimidos, são superiores aos homossexuais (que gratificante!), da mesma forma que os preconceitos racistas são alimentados. O papel desempenhado pela direita
neste processo é evidente.

Precisamos superar o capitalismo, libertar-nos da classe dominante, tomar os meios de produção e a riqueza e usá-los de uma maneira harmoniosa e planejada, não para os lucros de poucos, mas para as necessidades coletivas da sociedade. O trabalho doméstico precisa ser socializado, e os cuidados e a educação das crianças devem ser de alta qualidade. Todos devem ter direito à moradia, as horas de trabalho devem ser reduzidas para que todos tenham tempo e energia para viver suas vidas.

Acabar com a divisão retrógrada de trabalhadores, jovens e desempregados por gênero e sexualidade!

Para acabar com a opressão, luta para acabar com o capitalismo!