Solidariedade com os trabalhadores do sector público: que comece a luta!

LUSA/ANTONIO COTRIM
LUSA/ANTONIO COTRIM

Os camaradas da Convergência e vários sindicatos lançaram uma campanha para defender os trabalhadores do setor público contra os ataques à sua segurança no emprego, condições e medidas de privatização que estão a ser implementadas pelo governo. Estes ataques resultam do orçamento de austeridade aprovado pelo parlamento em novembro, sob os ditames da Comissão Europeia, em troca de um pacote de resgate para salvar o capitalismo português.

O atual sistema mostrou-se incapaz de resolver a crise atual desencadeada pela pandemia da Covid-19. A única saída para a classe dominante envolve sobrecarregar a maioria da sociedade com padrões de vida mais baixos, menos segurança no emprego, e a supressão alguns dos aspectos sociais mais fundamentais ganhos durante a Revolução Portuguesa. Colocando os interesses do capital à frente dos da classe trabalhadora e do povo, o governo do PS está vergonhosamente a cumprir o programa do grande capital europeu e português.

O Colectivo Marxista acolhe esta campanha de solidariedade como o início de uma revanche da classe trabalhadora portuguesa, e assinamos a moção abaixo como uma demonstração do nosso apoio. Encorajamos os nossos leitores e seguidores a aderirem à campanha e a partilharem amplamente esta moção.

Devemos também ser claros: essa revanche começa com a união de vários setores da classe trabalhadora na defesa de seus empregos e condições de trabalho, mas só se consegue sustentar se a luta se elevar ao plano geral político. Chegou a hora, a direção dos partidos de esquerda deixou sua timidez no passado e colocou as suas belas palavras em ação – liderar a defesa da classe trabalhadora e lutar genuinamente pelo socialismo.

Apelo a um movimento de mobilização e solidariedade com os trabalhadores da TAP, da GALP, da EFACEC e de todas as empresas ameaçadas

Assistimos nas últimas semanas a uma ofensiva sem precedentes contra os trabalhadores e empresas fundamentais deste país. O plano da UE e do governo para a TAP prevê milhares de despedimentos e cortes radicais dos salários dos trabalhadores que ficarem, sob a chantagem do encerramento da empresa.Os accionistas da GALP anunciaram o encerramento da refinaria de Matosinhos. Na EFACEC, anuncia-se um plano de reprivatização, que destruirá centenas de postos de trabalho.Na banca, com milhões de euros de lucros, encerram-se balcões e despedem-se trabalhadores às centenas.Em muitos outros sectores, sucedem-se planos de ”reestruturação” e de despedimento colectivo.A coberto da pandemia, destroem-se contratos de trabalho e generaliza-se o desemprego. A miséria e a fome alastram pelas cidades e pelas vilas.

Nós dizemos:

Não aceitamos os despedimentos na TAP e na GALP!

Não aceitamos as reprivatizações e planos de reestruturação e despedimento na EFACEC, na banca e em todos os sectores. 

Não aceitamos o encerramento das empresas. 

Não aceitamos os cortes salariais. 

Não aceitamos a cessação unilateral de acordos de empresa.

Os trabalhadores não são descartáveis!Os trabalhadores da TAP, da GALP, da EFACEC, da banca, não têm qualquer responsabilidade na crise.Os trabalhadores da GALP foram usados enquanto isso serviu para os lucros bilionários da empresa.Não aceitaremos que estes milhares de trabalhadores sejam atirados para o desemprego e a precariedade, aumentando o rol dos milhares de despedidos desde o início da pandemia, em grande parte jovens.

A luta dos trabalhadores da TAP, da GALP, da EFACEC, para travar os planos de desmantelamento e destruição é a luta de todos. Ganhar essa luta é vital para todos os trabalhadores deste país. Oferecemos a nossa solidariedade total aos trabalhadores da TAP, GALP, da EFACEC e de todas as empresas ameaçadas e apoiamos todas as medidas de luta e resistência que decidirem.

A hora é de construir uma grande frente de resistência do trabalho para vencer esta batalha, uma frente de todos os trabalhadores com as suas organizações sindicais e CTs para derrotar os planos de miséria. Todas as forças políticas que se reclamam da defesa do 25 de Abril e da Constituição e os deputados eleitos com os votos dos trabalhadores têm o dever de se associar a esta frente e a este combate.